terça-feira, 29 de junho de 2010

Amor é fogo que arde sem se ver



Amor é fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói, e não se sente,

É um contentamento descontente,

É dor que desatina sem doer



É um não querer mais que bem querer,

É um andar solitário entre a gente

É um nunca contentar-se de contente,

É um cuidar que ganha em se perder



É um querer estar preso por vontade,

É servir a quem vence, o vencedor,

É ter com quem nos mata, lealdade,

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos maizade,

Se tão contrário a si mesmo é o amor?

(Luis Camões)
"A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que o outro gostaria que fôssemos.


Geralmente quando a gente começa a viver muito em torno do que o outro gostaria que a gente fosse, é que a gente tá muito mais preocupado com o que o outro acha sobre nós, do que necessariamente nós sabemos sobre nós mesmos.

O que me seduz em Jesus é quando eu descubro que nEle havia uma capacidade imensa de olhar dentro dos olhos e fazer que aquele que era olhado reconhecer-se plenamente e olhar-se com sinceridade.

Durante muito tempo eu fiquei preocupado com o que os outros achavam ao meu respeito. Mas hoje, o que os outros acham de mim muito pouco me importa [a não ser que sejam pessoas que me amam], porque a minha salvação não depende do que os outros acham de mim, mas do que Deus sabe ao meu respeito."

Padre Fábio de Melo

sábado, 15 de maio de 2010

“Estar vivo é ter a chance de acreditar que a cada dia podemos fazer mais que imaginamos.


é correr atrás dos sonhos e esperanças para um dia melhor... Exercitar nossa fé e enxergar nas pequenas coisas algo grande... Ai sim você vai ser feliz!”

segunda-feira, 10 de maio de 2010

PAZ INTERIOR E EQUILÍBRIO HUMANO

A paz interior é um dom do Espírito Santo, diz a Carta aos Gálatas:

“Por seu lado, são estes os frutos do Espírito: amor, alegria, paz” (Ga 5, 22).
Mas isto não quer dizer que o Espírito Santo nos substitui nesta tarefa de construir a paz. Deus está conosco, mas não em nosso lugar.
Uma das primeiras atitudes da pessoa para construir a paz interior é tentar educar a sua mente e o coração, tentando eliminar ideias e sentimentos negativos no dia a dia da nossa vida. É uma tarefa, mas sobretudo uma arte que os evangelhos nos aconselham encarecidamente. Os pensamentos negativos não contribuem para a solução dos nossos problemas e são um obstáculo à nossa felicidade: “Quem de entre vós, com as suas preocupações, pode prolongar a duração da sua vida?” (Mt.6,25-27). O evangelho de Lucas acrescenta:
“Tende cuidado para que as vossas vidas não fiquem pesadas devido às preocupações” (Lc.21,34).
Os pensamentos negativos desgastam-nos e geram stress. Este, por seu lado, gera ansiedade a qual provoca uma aceleração do ritmo cardíaco e faz subir tensão arterial.
Apesar do ritmo acelerado em que o mundo caminha, nós podemos contrariar em nós esta tendência de uma crescente excitação da vida diária.
Acolhamos o dom das forças de Deus e teremos a paz necessária para vivermos de modo feliz: “O fruto do Espírito é a paz” (Ga.5,22; Rm.8,6).
Além de se sentir sempre cansada, a pessoa em stress sente-se frustrada por não poder produzir. Os pensamentos positivos como confiança, segurança, vontade de perdoar e servir os outros são um remédio milagroso para curar esta enfermidade.
Cristo deixou-nos a Paz interior como o grande dom do Espírito Santo:
“Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou” (Jo.14,27).
São Paulo, depois de ter experimentado a riqueza do dom da paz, diz aos Colossenses: “Reine em vossos corações a paz de Cristo à qual fostes chamados, formando um só corpo” (Col.3,15).
Estas afirmações não são produto de uma teoria qualquer. São revelação de Deus. O Espírito Santo, no nosso íntimo, é o manancial da paz que faz jorrar em nós alegria e felicidade.
Deus oferece-nos a paz como remédio para edificarmos a nossa felicidade, diz o evangelho de Lucas:
“O Senhor guia os nossos passos no caminho da paz” (Lc.1,79).
A paz e a felicidade não são produto do mundo ruidoso. Emergem no interior da pessoa na medida em que esta sintoniza interiormente com a presença de Deus.
Segundo o ensinamento de Jesus, as coisas mais importantes acontecem no nosso interior. Por isso ele aconselha os discípulos a buscarem o silêncio: “Retiremo-nos para um lugar deserto e fiquemos ali por algum tempo” (Mc.6,31).
Traduzindo esta proposta de Jesus para os nossos dias diríamos que quinze ou vinte minutos de meditação diária são fundamentais para realizarmos a “higiene” da mente e do coração.
Nesses momentos, o nosso coração dilata-se ao ponto de nos sentirmos em comunhão com todos os seres humanos, como diz São Paulo:
“Tudo vos pertence (…) a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Cor.3,21-23).
Quando sentirmos o nervosismo a progredir ponhamos um travão dizendo-nos: “Para quê toda esta agitação? Não pretendo dominar o mundo!
Jesus convida-nos a pôr as nossas dificuldades nas mãos de Deus. Não para sermos substituídos, mas para que o Espírito Santo dinamize e optimize as nossas forças e capacidades. Eis o que diz o evangelho de Mateus:
“Não andeis preocupados, dizendo: ‘que iremos comer, beber ou vestir? (...) Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta a sua dificuldade” (Mt 6, 31-34).
Se nos deixamos dominar pelo frenesim do mundo destruímo-nos e não conseguiremos ser válidos para os outros. Temos de aprender a livrar-nos da sobrecarga nervosa.
A pressa excessiva e o activismo não trazem vantagens para ninguém. O remédio para curar esta doença está em grande parte ao meu alcance.
Sei que Deus está em mim e por mim. A alegria que brota da paz interior está ao meu alcance. Com efeito, se esvaziar a mente e o coração o dinamismo libertador de Deus invade-me e enche-me da sabedoria necessária para acolher o dom da paz:
“Felizes os servos que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes” (Lc.12,37).
A presença libertadora de Deus é uma realidade que podemos experimentar. Não se trata apenas de ideias teóricas.
Se treinarmos a mente e o coração para acolher a Palavra e o Espírito Santo, muito em breve sentiremos uma mudança na qualidade da nossa vida pessoal e relacional.
Esta experiência significa o Reino de Deus a acontecer dentro de nós como diz a Carta aos Romanos:
“O Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm.14,17).
Quando Paulo escreveu estas palavras não estava a pensar numa realidade distante e fora do mundo. Pelo contrário, estava a falar de algo que se experimenta, como diz o evangelho de Lucas:
“A vinda do Reino de Deus não é observável no nosso exterior. Não se poderá dizer: ei-lo aqui! ou ei-lo acolá, pois o Reino de Deus está dentro de vós” (Lc.17,20-21). É importante tomarmos estas afirmações bíblicas a sério.
A edificação da paz interior tem muito a ver com o estilo de pensamento que alimentamos no dia a dia da nossa vida.
Se tememos uma realidade de modo contínuo, começamos a criar condicionamentos psíquicos, ao ponto de fazermos que aconteça aquilo que tememos.
Nas nossas conversas eliminemos palavras associadas ao medo e à ansiedade, pois estas condicionam os nossos comportamentos no sentido do fracasso.
As nossas palavras são resultado do nosso pensamento. Mas as palavras também geram o nosso modo de pensar. Por outras palavras, falar muito dos nossos medos de fracassar, faz que tenhamos cada vez mais tendência para pensamentos negativos.
A pessoa que fracassa devido aos seus pensamentos negativos começa a ser progressivamente posta de lado.
CALMEIRO MATIAS